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May 25
Rios Eternos
Tudo o que sou aqui é palavra.
Gestos-palavra; atitudes-palavra; desejos-palavra.
Silêncio: solidão ou solitude da palavra
Grito: palavra que procura
Amor: benção da palavra
Paixão: palavra que sonha a conquista da palavra
Esperança: palavra que anuncia
Fé: força da palavra
Perdão: palavra que liberta
Aceitação: renúncia da palavra
revolta: palavra que vinga palavra e faz sofrer...
Tudo o que sou e faço é palavra.
Poema é palavra.
Eu sou seu poema.
Canção é palavra.
Voce é minha canção.
Palavras: Rios eternos que vertem da alma,
que correm do coração para um coração
Pulsam, eletrizam, vivificam, irrigam o corpo
E saltam pelos poros como chuva de verão
Ou flocos de neve que queimam sem sentir.
E quem está na chuva vai se molhar.
E quem se expõe na neve vai se queimar.
Tudo o que sou e tenho é palavra.
Querer-palavra
Sentir-palavra
Viver-palavra
E eu vivo da palavra.
Guardo todas elas: as que me amaram e as que me desprezaram.
Sobretudo guardo não só palavras, mas guardo tambem o coração,
porque é de la que as palavras correm como rios eternos
E quem beber dessa água, terá um pouco de mim,
Será um pouco do que eu sou,
Seja um cristal de neve, único e irrepetível
Ou um pingo de chuva que, entranhado,
Imortaliza-se na palavra que sou.
Eloise Barreira - julho/2008 May 21
Ultima das Três
Quem sou eu?
Quem voce acha que eu sou?
Ultima das três?
Suave presença, marca seus gols.
Ultima das Flores?
Déborah,
Descoberta dos amores.
Estilo próprio: só seu.
Beleza? Quem, aos quinze, não tem?
Observa se vai valer a pena e e extrai o mais
Raro que a vida pode trazer:
Amizade. E com toda a
Honestidade, oferece de volta, pra sempre, lealdade.
Temerloglou
Mais que um nome: origem.
Força, bravura, tradição.
Mais que família:
Fé, coragem e paixão.
Barreto Silva
Bem querer floresce a acolhida
Alegria a torna acessivel
Recato resgata o
Realismo que enfrenta.
Entusiasmo ecoa horizontes à frente.
Tranquila, serena. Nada teme.
Otimo! Última das três? Que nada.
Déborah T. Barreto agora é de voces.
E por falar em estilo, SILVA convida
Silva do povo, da gente, de todos
Silva do sitio, cidade e do morro,
Silva do pai e tambem do avô,
Silva de Minas, daqui e dali,
Silva que olha, abraça apertado e sorri.
Déborah Temerloglou Barreto Silva tem o prazer de
Nesta data estar com os amigos e amigas para celebrar seus quinze anos…
12/11/2004
Eloise Temerloglou M. Barreira
(Escrito para o convite de 15 anos de minha sobrinha) May 18
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North Andover e Woburn - Massachussets - USA
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Nossas mudanças

Quantas vezes voce ja se mudou?
Eu e as crianças fomos ao Veterans Park pela ultima vez. Talvez nem seja a ultima...
Ultimas vezes me fazem sempre recordar as primeiras. É interessante como certas coisas acontecem pela primeira e ultima vez; ficam sendo a unica vez , então, até agora, claro! Quem sou eu pra determinar o futuro!...
Estávamos bem em Dracut, mas meu marido desejou ficar mais perto de seu serviço, então decidimos mudar para New Hampshire, um outro Estado de USA. Quatro anos em Dracut, muitas lembranças. Em Dracut experimentei minhas primeiras aventuras virtuais. Quando o desejo se depara numa encruzilhada entre a chance e a necessidade, a opção será quase sempre pela oportunidade.
Nas últimas semanas em Dracut fui baby sitter de gêmeos. Nem sabia que dava conta de cuidar de gêmeos.
Nos últimos dias conversei longo tempo com meus vizinhos mais que nos três primeiros anos juntos. Eles me contaram coisas intimas de suas vidas e eu pude entendê-los. Lembrei-me da primeira vez que eu tive que conversar em Inglês. Logo que cheguei do Brasil, em 2003, fui à escola para matricular meus meninos. Estava tão tensa que só chorava e não conseguia falar. A diretora e a secretaria foram tão gentis e pacientes comigo que elas me ajudaram a vencer a maior dificuldade que alguem passa quando sai de seu proprio País para morar em outro: falar o idioma daquela terra. O medo tem que ser enfrentado, não importa quão imenso pareça . Depois desse dia, na escola, eu descobri que podia estabelecer uma comunicação compreensivel com quem quer que fosse. Estava livre de intérpretes!
Na última semana de maio, antes da nossa mudança, preparei uma festa surpresa de aniversário de Raphaell em sua sala de aula e também uma outra de despedida para Mikaell, na escola tambem. Vivi com eles momentos de grande emoção ao saber o quanto meus filhos eram queridos naquela escola e com certeza fariam falta.
Precisávamos mudar? Sim e Não! Massachussets é o melhor Estado para se viver na América enquanto voce é so um imigrante. Nas nós só ficamos sabendo disso depois que nos instalamos em nossa nova casa.
Em New Hampshire, junho de 2007, encontramos a casa dos nossos sonhos: um duplex com um porão enorme, varanda e quintal. Até varal de estender roupa encontrei la. Estava me sentindo em casa, no Brasil, quando me acordaram desse sonho. As leis de NH não nos favoreciam e tivemos que voltar às pressas para Massachussets.
De volta a MA, julho de 2007, encontramos um condominio que me fez lembrar o sonho de Mikaell, quando encontramos aquela pá no Veterans Park em Dracut. Royal Crest em North Andover é um condominio fechado com 55 prédios de apartamentos de no maximo 3 pisos cada prédio. A cozinha é o sonho de toda dona de casa, totalmente mobiliada. Era o sonho da cozinha planejada sendo realizado (risos). Uma floresta encantada com lago, piscina, salão de jogos, de festas, de ginástica, várias quadras e tudo ao alcance. O sonho de Mikaell estava se realizando. Embora vivesse como uma princesa, passei por momentos sombrios nesse tempo... Tivemos uma vida abastada, mas pagamos caro pra ter tudo aquilo. Por pouco tempo, entretanto. Dizem que alegria de pobre dura pouco (risos)... A nossa durou um ano. A economia do Pais começou a despencar, os serviços diminuiram e tivemos que procurar um aluguel mais barato. Muito stress, muita ansiedade, muita tristeza e depressão...
Outra mudança. Sem problemas.
Parece que quando estou começando a criar laços alguma coisa acontece pra me cortar essa fita ao meio. Conheci Lucinha em North Andover, assim que cheguei. Lucinha me convidava para ir com ela à igreja, mas eu relutei bastante. Eu não estava pronta para essa "mudança" ou melhor, volta. Por fim, Lucinha mudou-se antes de mim e nos desencontramos por um tempo.
Chegamos em Woburn em julho de 2008. Bem central, pertinho de Boston, cidade muito boa pra se viver por muito tempo. Eu ja nem faço planos mais. Eu ja sabia que me mudaria novamente em curto espaço de tempo e guardei todas as caixas debaixo da cama (risos).
O condominio nao é aquela maravilha, mas aqui em Woburn meu casamento foi restaurado, aqui eu me reencontrei com Deus e voltei para a Igreja; reencontrei-me com Lucinha e estamos frequentando a mesma igreja, ela a 1 hora de distância e eu a 5 minutos. Aqui meus filhos tem recebido a assistência médica exata para seus problemas de saúde (ambos tem ADHD - hiperatividade); aqui pela primeira vez eu tenho um pastor que ri e chora como eu e trabalha como qualquer um de nós em serviços que qualquer um de nós fazemos; aqui eu só tenho experimentado paz, muita paz e muita alegria.
Vamos mudar de novo? Sim. Sem problemas.
Estamos de mudança para o Brasil marcada para julho. Parece que julho é o nosso mês de mudanças. (risos) Mas o mês não importa tanto. O que importa é essa sensação que eu estou sentindo agora... Sensação de ter vivido tudo e de não ter mais nada pra fazer aqui nessa terra dos outros.
Eloise T. M. Barreira - Woburn, MA - maio/2009

Publicado no Recanto das Letras em 18/05/2009 Código do texto: T1601179
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May 17
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ENTRE O CASO E SEU OCASO

Caso, acaso, descaso, ocaso.
Ja pensou nessas quatro palavras?
Caso = quando algo depende de mim
Acaso = quando algo não depende de mim
Descaso = quando não quero que dependa de mim
Ocaso = quando não ha mais como depender; caso encerrado.
Eu me caso ou me descaso? Faço ou não de meu caso o caso?
Só conjecturas...
Voce sabe qual a diferença entre URGENTE e PRIORIDADE?
Fácil.
Outra pergunta: o que é urgente e o que é prioridade pra voce?
Mais difícil. Tenso.
A pergunta fica meio no ar, meio sem resposta.
Muito fäcil falar do que é geral, não é?
O urgente quer de nós REAÇÃO. A prioridade quer sempre AÇÃO. Muitas vezes estamos tão preocupados reagindo às urgências da vida, que não investimos tempo, forças, recursos no que deveria vir primeiro. Não agimos; só reagimos. E é assim que as forças se esgotam, os recursos acabam e o tempo se perde. Se tivesse agido antes, talvez não teria sido necessário gastar tanto nesse emaranhado, nessa rede, nesses embaraços a que chamamos de urgência.
Entre o caso e seu ocaso, ha sempre uma decisão a ser tomada: PRIORIDADE. Se houver descaso, haverá URGÊNCIA. E aí, nem sempre o acaso estará ao meu favor. Nem sempre o acaso vai mesmo me proteger.
Em “Epitáfio”, de Titãs, fica muito claro o movimento dessa AÇÃO contínua, constante: “Devia ter…” (agido). Como não agi, “…o acaso vai me proteger… enquanto eu andar…” não só distraído, mas andar… E andar é ação, é movimento, é vida e viver é prioridade. E pra quem não sabe, “epitáfio” é tudo aquilo que se inscreveu na sepultura de alguem, sobre o que ela foi e o que fez enquanto viveu; e como será lembrada pela eternidade. E o conceito de eternidade não é atribuido a Deus somente. O homem é eterno em seus filhos e nos filhos de seus filhos, e na familia, e na comunidade, e na sociedade e na nação. “Deus fez tudo formoso em seu tempo. Também pôs a eternidade no coração dos homens…” (Eclesiastes 3.11)
Ja pensou o quanto voce tem gasto do melhor tempo de sua vida só reagindo, ao invés de agir? Então pense e FAÇA o que e necessério fazer para que sua vida valha a pena.
P.S.: So uma observação bastante pessoal: eu acredito muito mais em Providência divina que em acasos. Isso sou eu.
Eloise T M Barreira - nov/2005

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May 15

SEM SOMBRAS DE MORTE
 
Eu estava muito tranquila no meu canto la em Esteio, até que… Porque será que sempre quando aparece um rapaz assim do nada, a vida da gente tumultua? Eu já não era mais a mesma garota centrada nas minhas crianças e no meu povo.
Al era um desses rapazes de parar o movimento. Pra falar a verdade, eu nunca tinha encontrado tanto “piá’” (rapaz) bonito como no RS (risos). Aquela pele de pêssego, corada, sorriso maravilhoso, cabelos pretos sedosos… Mas é incrível: sempre o que se destaca da multidão é casado, está namorando, é indisponível, não está pronto (rsrsrsrs)… Que coisa! Esse Al estava noivo, mas eu recebia dele todos os sinais de que ele estava mesmo me paquerando. Ele tocava na banda da igreja sede, mas não saia mais de Esteio.
E aí, o que fazer??? Muitos dos meus acertos se deram por eu ser essa pessoa valente, que gosta de correr riscos, muita iniciativa e determinada. Mas muitos dos meus erros se deram pelo mesmo motivo. Daí a aprendizagem.
Resolvi me dar a “chance”. Afinal, pensei, sozinha a muito tempo, carente, longe da familia, longe dos amigos, longe da minha banda, longe da minha terra e em terra estranha… Não deu outra: namoro escondido. Hummmmmm! Essa coisa de namorar escondido é a melhor coisa pra se levantar um astral, mas é a pior pra se desestruturar uma vida.
Al decidiu terminar o noivado. O dificil foi encarar a familia dela, descendentes de alemães, com todos aqueles irmãos de facão na mão (rsrsrsrs). É sério! Teve até tocaia… Imagina só a confusão que eu arrumei!
Depois de um mês de escondido, declaramos público o nosso namoro. As consequências foram desastrosas. Alem de termos sido disciplinados pela liderança, de não podermos exercer nossas atividades normalmente, eu sofria olhares fulminantes de toda a igreja. A ex noiva ofendida fez o que deveria fazer. Uma coisa que eu gosto muito do gaucho é essa capacidade de dizer na cara as coisas que pensa (mesmo se estiver errado). E as gurias começaram a me chamar de “china” (algo como prostituta) e de serpente. Toda aquela situação desencadeou um processo de angústia que se caracterizou em três dias ininterruptos de asma. Eu ia morrer mesmo. Sem remédio, sem dinheiro, sem cuidados médicos, sem absolutamente nada. Você pode até não acreditar, nem eu te condeno por isso, mas “a fé remove montanhas, sim” e eu fui curada só com oração.
Meu lider aconselhou-me a não frequentar a sede por uns tempos. E foi o que eu fiz.
Maria, mãe de Al, não quis me conhecer. A jovem havia feito a cabeça da “ex futura sogra”. Não dá pra imaginar o quanto uma mulher é capaz de fazer pra defender o que é “dela”. Engano absoluto. Ninguém é de ninguém; ninguém é dono de ninguém; ser humano não é posse, não é propriedade, não é coisa que se compra, se usurpa, se rouba, se usa. Portanto, não cabe aqui ser ou não ser insubstituivel ou indivisivel; não se trata aqui de “roubar meu homem” ou o que seja. Nem mesmo marido e filhos. A única coisa que eu posso dizer “isso é meu e morrerá comigo” é a minha própria vontade, mesmo que, influenciável, mesmo questionável.
Engraçado como as coisas quando não são mais escondidas perdem aquele sabor, aquele brilho, aquela emoção…
A primeira vez que Maria me viu, ela se encarregou de “abrir o jogo”. Missão dificil essa de conquistar ex futura sogra de alguem. (risos) Decidi dedicar um dia inteiro da semana para estar com Maria. Voce sabe qual é a melhor maneira de se ganhar a confiança de uma “sogra”? Com seu silêncio.
Nao sei dizer se Maria fumava mais do que bebia. Mas ela se embriagava quase todos os dias. Menos na quinta-feira. Esse era o dia em que ela me recebia em sua casa. Quinta-feira era o dia de Maria. O dia que eu ouviria toda sua historia, sua angústia, sua solidão, suas carências, seus medos, suas frustrações, suas faltas, seu tédio, seu cansaço… Depois do almoço, Maria dormia a tarde inteira e eu aproveitava para limpar o quarto de Al. Ele trabalhava em Porto Alegre o dia todo. Quase sempre eu voltava para Esteio antes de escurecer. Daí, eu deixava sempre um bilhete para Al.
Sempre gostei de escrever, de registrar minha passagem em todos os namoros que eu tive. Al tinha um bloco de cartas de papel fino. Dava pra ver com nitidez a sombra do que havia sido escrito na página anterior. Eu gostava de conferir para sempre escrever alguma coisa nova.
Para minha surpresa, naquele dia, a letra não era minha, mas as palavras usadas eram, definitivamente, minhas (affffff). Eu vou dizer pra voce o que passou pela minha mente naquele momento. Muito simples. Um dos trechos que eu mais gosto de lembrar das leituras que ja fiz: “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal nenhum, porque tu estas comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam”. (vara= disciplina; cajado=socorro). Onde há vida pode haver sombras de morte em qualquer momento dela. E aquela nao foi a primeira sombra... Eu ja havia experimentado varios outros momentos dessas sombras.
Li um recadinho de Al marcando um encontro com aquela que havia sido noiva. Não tive dúvida, juntei todos os meus escritos, bilhetes, cartas, cartões, fotos, tudo que pudesse se referir a minha presença, tudo que pudesse ser sombra dai por diante. Maria tinha acabado de acordar e estava sem entender. Ela ficou transtornada com aquela “atitude” do filho e sem refletir nem por um segundo, disse: “É meu filho, mas não vale nada”. (afffffffff) Fizemos uma fogueira no quintal. Foi maravilhoso ver aquele fogo consumindo aquelas “lembranças”. (Como se lembrança pudesse ser apagada....)
Não me lembro se deixei alguma coisa escrita. Mas eu não consigo esquecer o que tenho gravado com fogo aqui dentro: “Enganoso é o coração mais do que todas as coisas e incorrigível; quem o conhecerá?”
Maria não deixou de beber. Al casou-se bem mais tarde com outra mulher, completamente diferente de nós duas. Durante o tempo em que morei em Porto Alegre, eu e Al fomos muito amigos. Sem sombras de morte.
Eu nunca mais tive asma em toda minha vida!
Eloise Barreira

Publicado no Recanto das Letras em 14/05/2009 Código do texto: T1593876
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